sexta-feira, 13 de março de 2009

O inferno... O limbo... O paraíso...

O inferno... O limbo... O paraíso...

Um dia me preocupei realmente para onde iria. Desisti.

A vida é curta. E curto devem ser os problemas que nos travam o caminhar.

Se preocupar com o destino que terei após o fim é uma loucura.

Enquanto me preocupava com isso, a vida foi passando e vivi no limbo. Medo de errar, medo de pecar, medo de estar irremediavelmente condenada ao inferno. E vivi no limbo.

Não sei como deve ser o limbo, o inferno ou o céu. Mas sei como é viver no limbo e agora sinto que cheguei ao inferno. O inferno de ouvir o despertador me chamando para vida. Porque ainda é tempo. E ainda há tempo.

É estranho depois de estar anestesiada pelo medo de sabe-se lá o que, perceber que tudo que eu queria era ter sabido. Rs

Sabido que os dias parecem iguais, mas não se repetem. Que amigos podem ser legais, podem ser chatos, podem ser egoístas, podem ser divertidos, podem ser entediantes e tristes. Mas são meus amigos.

Sabido que eu sou chata, crítica, birrenta, legal, divertida, sarcástica, mordaz, cruel, gentil, amável, forte, triste, alegre e ainda assim eu tenho amigos.

Sabido que quanto mais eu tento acertar, mais me frustro. Porque não desejo acertar, desejo ser perfeita. E perfeição definitivamente não existe.

Há perfeição sim de oferecer um ombro, um ouvido, um colo, um sorriso, uma piada. Porque se existe limbo, inferno ou céu eu não sei. Mas existem momentos.

Aqueles momentos em que a dor dói tanto que eu sente tudo queimar dentro, e quero sair de mim. E tudo dói em volta e eu quero que todos sintam como eu. E eu machuco, brigo, grito, magôo... Numa desesperada necessidade de dividir a dor para suportar e sobreviver. Isso é o inferno.

Aqueles momentos em que eu não sei se vou, se fico. Quem sou ou o que serei. Momentos de crise, de reavaliação. Momentos em que tudo que acredito e tomo como verdade entra em choque com o que estou vivendo e paraliso. E de repente, tudo em que me apoiava parece ter sido farsa, e tudo que construí parece ruis diante de meus olhos. E paraliso. Porque não sei mais o que fazer. É o limbo.

Mas apesar de tudo e antes de tudo, existe aquele momento. Momento em que as cores brilham, a fé se renova. Momento em que supero as dificuldades, dou o devido valor e peso aos meus medos, aos meus receios. Momentos em que vejo as pequenas coisas que me lembram porque alguém é o meu amigo, porque amo meus pais e porque a vida vale a pena. Apesar da dor, do choro, da dificuldade. Porque existe também o riso, a descoberta, a alegria. Momentos que me levam para outro lugar... Momentos que são o Paraíso na terra. E às vezes, na maioria das vezes, por ora, por um segundo é tudo que preciso ter.

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